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Sociedade de Física disponibiliza material didático, mas faltam professores para usá-lo
Material didático, multimídia, textos, imagens e simulações relacionados à física estão disponíveis gratuitamente na Internet para todos os professores da disciplina. O site Píon foi desenvolvido pela SBF (Sociedade Brasileira de Física) com o apoio financeiro do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Na página, os educadores encontram artigos com adaptações de textos publicados na revista Física na Escola, da SBF, além de textos escritos por internautas e colaboradores. Tudo sob a coordenação do físico Nelson Studart, professor do Departamento de Física da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), em São Paulo.
E quem vai ensinar? Mas se por um lado o material para trabalhar a disciplina é amplo, por outro, o número de professores para usá-lo é limitado.
Segundo um estudo de Dilvo Ristoff, diretor de Educação Básica Presencial da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão que cuida também da formação de professores no país, física é a disciplina com mais carência de professores no Brasil.
"Mesmo que pudéssemos criar melhores condições para este profissionais, não teríamos educadores. São formados cerca de 1.800 professores de física por ano, mas temos uma carência de mais de 150 mil profissionais", calcula.
Nos últimos 25 anos, segundo o estudo, 18.158 se licenciaram em física, mas apenas 6.196 atuam na área, contra uma demanda de 56.602 professores. "A maioria dos formandos vai para a área de pesquisa ou para a indústria. Só um terço dos licenciados entra na educação básica", conta Dilvo.
Escrito por Carlos José Linardi às 12h19
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SP terá de gastar R$ 1,4 bi para cumprir a nova lei da educação
A lei federal aprovada neste mês que estabelece novas regras para a educação trará um gasto adicional de R$ 1,4 bilhão para a rede estadual de São Paulo, segundo estimativa do próprio governo. Esse valor equivale a 10% do orçamento da pasta estadual da Educação.
A lei estabelece em 33% o tempo mínimo que os professores da educação básica terão que dedicar a atividades extraclasse, como preparação de aulas e correção de provas.
Como hoje na rede paulista essa proporção é de 20%, será necessário contratar professores ou aumentar a jornada para cumprir a determinação.
"Ainda analisamos como iremos nos adaptar, mas provavelmente teremos de retirar verba de outras atividades, como reforma de escolas", afirmou ontem a secretária de Educação do governo Serra (PSDB), Maria Helena Guimarães, após reunião com o secretário do Planejamento, Francisco Luna, que apresentou os dados.
"Consideramos importante um tempo maior para preparar aula. O problema é como fazer isso no prazo", disse ela.
A mesma lei estabeleceu em R$ 950 o piso salarial nacional, mas esse item não trará impactos à rede paulista, pois, segundo a secretaria, seu patamar mínimo já é de R$ 1.309.
A lei entrou em vigor, mas, como o ano letivo está em andamento, sua aplicação é prevista para 2009. O texto não fixa prazo para a adaptação.
Pela estimativa do governo de São Paulo, para cobrir a diferença na dedicação a atividades extraclasse será necessário aumentar em 1/3 o número de professores da rede (hoje são 250 mil) já em 2009.
Outra opção é elevar a jornada. As duas opções têm custos semelhantes, diz a secretaria.
Segundo Maria Helena, uma das medidas estudadas pelos secretários estaduais de Educação é apresentar à União um pedido de revogação do dispositivo referente à jornada.
A lei, proposta pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), foi aprovada pelo Congresso Nacional no início do mês e sancionada pelo presidente Lula. Para Buarque, as medidas poderão trazer economia, "pois o professor adoecerá menos e não precisará de substituto".
A assessoria de imprensa do MEC informou que o ministério "considera legítima a preocupação apresentada, mas aguarda os estudos dos secretários estaduais e municipais de Educação para se pronunciar".
A presidente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual de SP), Maria Izabel Azevedo Noronha, também defende que o professor adoecerá menos com a nova lei. "Além disso, a mudança deixará os professores mais motivados e preparados, o que melhorará a qualidade da educação."
FÁBIO TAKAHASHI da Folha de S.Paulo
Escrito por Carlos José Linardi às 11h09
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