Com medo de perder diploma, mães universitárias levam bebês para fazer o Enade
Bruno Aragaki Em São Paulo
Sorteada para o Enade (antigo provão) neste domingo (9), a estudante de pedagogia Patrícia Justino tem de conciliar o dever acadêmico com o de mãe: há 15 dias, ela é "convocada" de duas em duas horas a amamentar a filha Raíssa. A solução encontrada foi trazer o bebê recém-nascido para o local de prova, em São Paulo.
"Foi parto cesariana, não me dispensaram do Enade. O que eu ia fazer com o bebê? Deixar sem mamar?", disse, segurando a filha no colo enquanto esperava o início da prova.
A universitária Andrea Rodrigues de Oliveira teve dilema parecido: "Quatro horas de prova, três horas para chegar até aqui e voltar. Não podia deixar a Lívia em casa".
Oliveira também foi fazer a prova com sua filha nascida há três meses. "Na faculdade, disseram que eu ia ficar sem o diploma se faltasse. É um absurdo", reclamou.
Dispensadas em suas faculdades por licença maternidade, Oliveira e Justino foram incluídas na amostra aleatória de 564.415 estudantes de nível superior que fazem exame de qualidade dos cursos universitários conduzido pelo MEC (Ministério da Educação).
Os bebês não foram autorizados a entrar nas salas de aula com as mães. O pai de Lívia e a tia de Raíssa tiveram de tomar conta das crianças, no pátio da escola, enquanto as mães faziam as provas. "Quando ela chorar para mamar, o fiscal vai me avisar na sala e eu desço", disse Oliveira.
Fonte: UOL Educação
Escrito por Carlos José Linardi às 00h56
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