Do lixo à faculdade
A história de Viviane que estudou para o vestibular com apostilas encontradas na lixeira e já está se formando em Serviço Social
Foto: Divulgação Mesmo sem o apoio do marido, Viviane não desistiu de seu sonho e se dedicou aos estudos sozinha
Viviane sempre gostou de estudar e carregava o título de boa aluna, mas após seu casamento - que aconteceu quando ela tinha apenas 18 anos -, não tinha mais tempo e dinheiro para continuar os estudos tendo assim que deixar de lado seu sonho de fazer faculdade de Ciências Sociais.
Depois de dez anos trabalhando como auxiliar administrativa, Viviane perdeu o emprego e resolveu trabalhar em casa, fazendo bordados e vendendo para a vizinhança. Mas nem depois de todo esse tempo ela perdeu a vontade de ingressar na universidade.
Após um tempo em casa, ela resolveu prestar um concurso público. Fez a prova e acabou sendo aprovada, o que a motivou mais ainda a voltar a estudar. Então resolveu fazer cursinho, mas os R$ 40 da mensalidade e os gastos com livros pesaram no orçamento, principalmente quando seu marido - que não a apoiava muito - aparecia com uma conta para ela pagar. Todos esses motivos fizeram-na desistir.
Quem levou a esperança de volta à Viviane foi sua mãe. "Um dia, minha mãe achou no lixo do prédio em que trabalhava como zeladora um saco cheio de apostilas preparatórias para o vestibular. Tinha de Português, Matemática, Física e outras disciplinas. Ela levou tudo para mim!", conta.
Com todas aquelas apostilas, ela não pensou duas vezes e começou a estudar por conta própria, após o trabalho. "Os livros estavam rabiscados, com exercícios respondidos... Mas tentava resolver tudo e me aprofundar na teoria", completou.
Em 2003, Viviane tentou o vestibular. Passou na primeira fase e foi reprovada na segunda. Apesar da tristeza, ela persistiu. Tentou fazer cursinho pela segunda vez, mas novamente teve de abandonar por falta de dinheiro para a condução. Então voltou com tudo às apostilas, dedicando a elas cerca de nove horas por dia!
No ano seguinte, se inscreveu no vestibular para o curso de Serviço Social da Ufes, menos concorrido que o outro. Foi para a prova relaxada, pois não acreditava que passaria. "No dia em que divulgaram a lista de aprovados, liguei de um orelhão para a Ufes. No atendimento eletrônico, ouvi o som de fogos de artifício. E a frase que mudou minha vida: 'Parabéns, você foi aprovado!'. Gritei, pulei, chorei e liguei para a minha mãe. Fui à universidade e estava lá: o 36º lugar em Serviço Social era meu!", relembra com entusiasmo.
Viviane doou as apostilas para uma amiga que estava precisando e fez a faculdade. Neste mês, ela recebe o certificado de bacharel em Serviço Social, mas engana-se quem pensa que ela já está satisfeita. Depois de tirar nota 10 na monografia, se inspirou a fazer mestrado.
"Consegui realizar um sonho, apesar das dificuldades. É o que eu digo: pode demorar muito; mas, se você quer mesmo que ele se realize, não desista nunca!", completa.
Escrito por Carlos José Linardi às 14h35
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Enem dará opção para estudante tentar cinco cursos
O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que pode ser uma espécie de supervestibular unificado das universidades federais, dará a oportunidade aos estudantes de tentar, com o resultado de uma mesma prova, cinco diferentes cursos em até cinco instituições da rede no País. Essa foi uma das decisões tomadas ontem em reunião entre os reitores das federais e o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Também ficou acertado que as instituições que aderirem à proposta do Ministério da Educação de substituir o vestibular pelo novo Enem vão receber mais recursos para assistência estudantil. O MEC decidiu dobrar a verba repassada às universidades dos atuais R$ 200 milhões para R$ 400 milhões. A maior parte vai para aquelas que fizerem parte do novo exame, previsto para ser implantado neste ano. "A assistência estudantil será reforçada porque o número de vagas nas instituições dobrou. Mas, para aquelas que atenderem alunos de outros Estados, terá de ser reforçada", disse Haddad.
Os recursos da assistência estudantil são usados para restaurantes universitários, moradia e bolsas para ajudar alunos de baixa renda. Como a intenção do MEC é que com o novo vestibular mais estudantes saiam de seus Estados, é necessário garantir que não tenham de abandonar os estudos porque não têm condições de se manter. Também é uma forma de compensação às instituições que hoje recebem recursos fazendo as próprias seleções, ao cobrar taxa de inscrição.
O coordenador do vestibular da UFF (Universidade Federal Fluminense), Nelliton Ventura, é um crítico do projeto do MEC no ponto em que trata do ingresso de estudantes de outros Estados. "A mobilidade pretendida pelo MEC vai ocorrer na mão inversa. Não vai ser o estudante do Norte e Nordeste que se mudará para o Sul. As classes mais abastadas têm maior rendimento no Enem e vão roubar as vagas nos outros Estados. Em vez de democratizar o acesso, vai elitizá-lo", avaliou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Escrito por Carlos José Linardi às 13h21
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